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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Oração de Um Aprendiz de Poeta



(Agradeço, de todo o coração, as mais de 1800 visitas a este blog, em agradecimento, trago para a primeira página o poema "Oração de Aprendiz de Poeta" que é o texto mais lido desse site. Conto com os comentários de vocês.
Bruno Rodrigo)




Ó Pai, ó meu Deus, ó meu criador


Não deixe jamais que minhas mãos se cansem das palavras,
Não permita nunca que elas fujam de mim.
Que o silêncio de um nada seja uma sonora inspiração
Que eu consiga sempre unir letras em palavras, e que essas, venham do coração.
Não permita, ó Grande Criador, que a arte da poesia se evacue pelas minhas veias sem antes deixar ao mundo um sentido de querer viver.
Que o tempo corrido não seja barreira para que minhas mãos não se encontrem com a imaginação, o lápis e o papel.
Que essas pobres mãos que não moldam, não plantam, não pintam e nem tecem consigam buscar no mundo existente as coisas que não existem, e que essas, falem ao coração.
Que meus lábios tenham a si o néctar de Adélia.
Que meu paladar se embriague de Lucinda e Vinícius.
Quero sentir a tonteira à Lispector e arrotar Assis por toda a noite.
Experimentar esses vinhos, comer essas carnes... Saborear poesia.
Em uma divina festa, onde servirão versos e estrofes como prato principal.
Não faltará de forma alguma, canções que entoem minha poética, e que essa, celebre o coração.
Que ao cair da noite minha alma se prepare para o sono ensaiando sonetos às estrelas,
Atraindo assim, cometas e quasars!
Que ao despertar, nasça juntamente com o sol, as palavras e os fonemas de um dia bom.
Junto aos pássaros o meu dom gorjeará assobios a uma nova poesia. Sim... uma nova poesia. Uma
poesia cantada, e que essa, embale o coração.

Te peço por fim bondoso Pai, não afaste de mim essa alquimia, essa fonte de força, este suprimento de vida, esta razão de persistir que se chama “Poesia”.
Dá-me o caminho e eu percorrerei, dá-me papel e escreverei, inspire-me e poetizarei em versos o que a vida conta em prosa.
Que seus anjos me guardem da tentação de deixar de amar, pois assim, não seria mais eu, um poeta. Que suas bênçãos sejam palavras novas que enriqueçam meu vocabulário e que minha missão seja defender esse gênero de texto divino e real.
Se tu permites que eu poetise, então poetisarei. Não me retire jamais esse dom. Para que as flores sejam jardim, o sol seja renascimento, os sentimentos sejam hemácias de um sangue que leva em seu D.N.A rimas de geração à geração, eu preciso de uma alma poética. Alma que um dia repousará em ti ò jubiloso pedestal, como um livro que espera ser lido.
Então leia-me, me folhei e recite-me, pois sou poesia pura da mais pura poesia, e quero eternamente poetisar... Amém.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Antropopseudoneoteologia



Se a religião deve ligar o homem a Deus
e o preconceito, prática escabrosa, tão intrínseca do ser humano, o afasta,
então porque religião e preconceito estão sempre lado a lado?

Um dia a gente aprende!

Aprende que a vida eterna só existe
porque esta que agora vivemos um dia acaba

Aprende que o Divino enxuga mágoas
porque as feridas físicas estão no humano

Aprende que os anjos têm asas
porque os trabalhadores têm os pés no chão

Que a luz que vem do ceús só brilha
porque no vasto mundo dos homens existe escuridão

Um dia a gente entende!
Um dia a gente admite!

Admite que tudo que condenamos
nos condena de antemão
que tudo o que subjulgamos
faz parte do nosso perfil, da nossa condição

Há! Homens Santos, cuidado!

Um dia os pecadores hão de descobrir
que a máscara que vocês usam para esconder o rosto,
enquanto as mãos ficam à amostra para apedrejar a prostituta,
esconde na verdade,
As maquiagens da orgia da noite passada

Cuidado!
Um dia a gente enxerga, Um dia a gente descobre...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Criatividade Down




Não que eu não queira mais escrever.
Acontece que por vezes sou abandonado pela poesia
Por assim ser, junto-me à Adélia e vejo pedra, pedregulhos e montanhas
somente.

Se me falta a poesia,
Sinto cheiro de morte nas frutas
gosto de podridão nos vinhos
pecaminosidade no desejo
idolatria nas imagens
insignificância nos símbolos
irracionalidade na filosofia
ateísmo em Deus
desesperança no Homem
asma no Espírito
lepra nas mãos
razão na corrupção
e abandono o mundo por não poder compreendê-lo
Afinal, sem a poesia, o mundo me comprimi.

Preciso liberta-me

Ser Ícaro no verão
Platão no inverno
Jesus no outono e
Maria na primavera

Adélia de manhã,
Lucinda à tarde e
Lispector pela noite

Ser mais pessoa assim como o Pessoa
Mais sabido por influência do Sabino
Ser mais amável por intermédio do Amado e
mais colorido e sensível através do Rosa.

Se me falta a poesia não sou o que “Eu sou”
pois meu ser é poesia
Se a tenho crio um mundo e já “Eu sou”,
pelo menos dentro da minha fantasia.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Existe um criador - Bruno Rodrigo


Ó sol que nasce no oriente! Que aquece tanta gente

E vem ao ocidente encontrar o seu pôr
Responda-me com sua luz calorosa
Quem é o seu criador?

Ah! Lua tão envolvente, que enamora tanta gente
Provocas a maré e reinas o céu
Antes que o sol venha a nascer
Quem criou teus quatro ciclos? Quem fez você?

Pergunto também as montanhas, Alpes e cordilheiras
Quem é o vosso pai? Quem ousou vos criar?
Nascentes, rios e cachoeiras.
Quem traçou o destino de suas águas, quem vos ensinou o caminho do mar?

Árvores que suportam o outono
Flores que se despedaçam no verão
Cigarra que tanto cantas na primavera
Quem é o autor de sua canção?

O homem criou o bio-disiel e a fibra ótica
Conquistou o fundo dos mares e americanizou a lua
Fez a Rússia comprar Cheetos e beber Coca
Suas revoluções quebraram muros e lotaram as ruas

Decifram o código genético
Clonam as ovelhas e manipulam os embriões
Esquecem do próprio código ético
Escravizam os menores das piores das nações

Ó ser de grandíssima estrutura
Dotado de inteligência, o qual chamamos de homem
Por que não aceitas que também é criatura
Por que não aceitas que Deus existe? Tira do peito esta amargura.

Deixe ecoar na sua consciência
O mistério da criação do universo sem limite
Com a voz da razão pergunte a natureza
E voz da fé responderá: - Deus existe, Deus existe.

LUANA - Bruno Rodrigo


O que seria da minha euforia se não fosse a sua calma?

O que seria da minha cara fechada se não fosse o seu sorriso?
O que seria da minha complexidade se não fosse a sua simplicidade?
O que seriam dos meus medos se não fossem os seus desafios?

O que seria da minha espera se não fosse você meu porto-seguro?
O que seriam das minhas esperanças se não fossem as suas indiretas de “me compre um bombom”?
O que seria do meu cabelo se os seus olhos não os olhassem por espreita?
Por que eu haveria de comprar perfume e roupas novas se você não reparasse?

O que seria da lua se o sol brilhasse o tempo todo?
O que seria da praia se o mar rompesse o seu limite?
O que seria do canto se os ouvidos não escutassem?
Ou que escutariam os ouvidos nas noites tristes se as vozes não cantassem?

O que veriam os meus olhos se a natureza com contrastes de formas e cores,
não tivessem criado você?
Em quê minha alma se inspiraria? O que minhas mãos iriam escrever?

Se você não existisse não seria eu um poeta
Seria eu um médico cardiologista qualquer.
Pois do coração físico é possível tratar apenas por ser doutor
Mas do coração da alma... só quem cursa a faculdade do amor.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lamentação de Ícaro - Bruno Rodrigo



Sei que ao me aproximar demais do calor
a cera frágil que une as penas de minhas asas vão derreter
Sei que cairei sobre o teto de Poseidon, abrindo assim,
caminho e estadia eterna no alçapão de Hades

Mas mesmo assim,
Como não ser livre?
De que vale ser prudente e voar, quando na verdade
anseio por liberdade maior?

Ainda que eu pague com a vida
ainda que o mar me apare e me desampare para afogar
Mesmo que o voo seja interrompido
minha alma tem asas próprias, viajarei para outro lugar

Bobos são os que verão as minhas asas usurpadas
que lamentarão a minha queda, a minha morte
Há guerreiros menos nobres com sangue nas espadas
que em relação a mim, serão de menos sorte

As asas que me adentram para a história
são de água com sal
são as lágrimas que choro, juntamente
com este mar que me condena

E sim, me chamem de imprudente, irresponsável, desvairado
só não me chamem de covarde

O sol me atrai e eu vou
o calor me chama e eu irei
sentirei a cera por entre as penas
e assim, perderei a força que outrora fora mais forte que a gravidade
Cairei entre as espumas das águas
e a tsunami causada pelo impacto do meu corpo inundará uma cidade

Mas mesmo assim eu subirei
não quero tocar o céu
sei que isto não é possível
não quero apalpar os calcanhares de Apolo
nem abraçar o sol
quero apenas subir, subir...
viver a minha escolha ao máximo dos extremos
e como troféu, sofrer a consequência com a mesma extremidade
e assim, cair, cair, cair... cair

Zombem de mim pois, os que nunca sofreram uma queda tão grande
mas lembro aos mesmo que, ao contrário de mim, jamais subirão tão alto.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Felicidade - Bruno Rodrigo




Viver é difícil.
Ninguém disse que seria fácil aprender a andar de bicicleta
Dos tombos me esqueço através do tempo
Mas, as cicatrizes me dão a medalha da vitória, afinal, hoje eu sei andar de bicicleta

Viver é complicado
Quem disse que não o seria?
Tantas vezes rasguei as folhas de caderno, raivoso, pois não conseguia escrever
Da raiva me desfaço, mas valeu a pena, hoje sou poeta

Viver é perigoso
Mas quem tentou te enganar dizendo que seria seguro?
Sim, já tive medo da falta de claridade, e por isso, tive pesadelos, mas não foi em vão
Os pesadelos agora são doces sonhos em horas de sono. Enfim, aprendi a dormir no escuro

Viver é caminhar para a morte
Assustou? Pois antes de chegar a morte passará pela velhice
descobrirá alí, o quanto amadureceu, e mesmo assim, ainda haverá muito para se "infantizar"
Valerá a pena. Viver é triunfo. É transformação
Não negue o caos que por vezes passará
Não fosse as tormentas, que graça teria a bonança do oceano?

sábado, 7 de novembro de 2009

Entrelinhas - Bruno Rodrigo



No texto da sua vida quereria eu ser uma exclamação
Mas não passo de uma interrogação.
Se bem que muitas vezes chego a ser uma vírgula, um ponto-e-vírgula,
Já cheguei mesmo a ser dois pontos:
Apenas preparei a fala de outros que, invadindo a sintaxe da nossa história,                 quiseram e querem me impedir de ser personagem.
Enganam-se todos, pois terei muitos travessões, mas quero usá-los todos somente com você.
E ponto final.   

Metáfora e comparação - Bruno Rodrigo






A distância de ti é uma manhã inteira em neblina
Encostar na tua pele é a luz do sol na superfície do mar que atrai os cardumes
Te ter e não ti possuir é como avistar a mais bela flor no alto da colina
Porém, após estafante subida, colhê-la sem poder sentir o seu perfume

Seu sono é feriado de quarta-feira de cinzas, é penitência, é contrição
Seu despertar é o primeiro dia de folia no carnaval
Ser teu e não ser possuído é como ser coração e não ter contração
É ser lágrima salgada pedindo carinho em meio ao canavial  

Não presenciar o seu descanso é ser criança e não poder ter recreio
Ficar longe das suas descobertas é ser Cabral sem direito a Ilha de Vera Cruz
Sermos um do outro e não nos possuirmos é como ser belo e desejar ser feio
Olhar para o mais luminoso sol de 4 de setembro pedindo-lhe que apague a luz    

Rosto, olhos, lábios, sorrisos, cabelos
Bochechas
, cheiro, boca, nariz
Mãos, dedos, pés, mais dedos
Enfim você... ou seria eu? Acho que é você que continua sendo parte de mim. 


Tempo Verbal - Bruno Rodrigo






Amara
Amava
Amou
Ama

O sentido de mulher que vira na mãe
O jeito como a menina o tratava
A mesma menina por meses atrás
A sua própria filha fruto de todo este amor.

Olhara
Olhava
Olhou
Olha

As estrelas, do colo da mãe, pela janela
As estrelas, de cima de um banco, nas pontas do pés, pela a janela
As estrelas, de cima de um banco, pela a janela
As estrelas, pela janela

Escrevera
Escrevia
Escreveu
Escreve

As primeiras letras, primeiros símbolos, sem significados
Poemas e poesias, coisa de criança. Quanto significado!
Alguns trabalhos escolares, universitários, coisas complexas.
Um texto poético que tenta dizer tudo o que já disse.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Qual litoral? Bruno Rodrigo



(Talvez, o mais belo litoral ainda esteja desabitado)



Eu não sei nada do mar

Porém, sei que o oceano que jorra dos meus olhos
é bem mais que água e sal

Que ondas que quebram as dores em meus peito
são um misto de maremoto e temporal 

Que o clima que divide os trópicos e cria um Equador em
minha alma é tropical

Que me nego construir meus sonhos em bases de areia,
afinal, adoro a praia, mas não como meu quintal

Que as conchas são orquestras que reproduzem o som das águas,
de forma tão calmante, que poderiam fazer o trilha sonora do meu carnaval

Sim, sei de tudo isso e de coisas outras
e saberia muito mais se conhecesse "O Litoral".

domingo, 20 de setembro de 2009

"Paternecessidade" - Bruno Rodrigo





(De todas as vontades que já tive, entrar em sua vida é a de que mais necessito)

Sim, eu aceito

Aceito te olhar no olhos
Buscando no brilho molhado da tua íris
as características dos meus ancestrais
Pegar-te por entre meus braços
Apoiando tua cabeça em minha palma
E ao sentir o teu suspiro, sempre abençoar a tua alma

Sim, eu aceito

Aceito o desafio que o teu sereníssimo sorriso me faz
Nasceste como ícone da formosura, e com o silêncio dos lábios,
Pedes-me a paz
Então serei eu a tua bandeira branca
O vazio que preenche toda a falta
O acorde inerte que toca falsa, o corpo quieto que te nina enquanto dança

Sim, eu aceito

Aceito ser lua em noites de breu
E ser sol quando acontecerem as tempestades de neve
Ser grande quando precisares de sombra
E para levantar o voo do “balão mágico", serei gás leve
Serei outono quando quiseres brincar com as folhas amareladas
E servo vassalo quando quiseres ter gratidão
Serei a “amarelinha” que tu brincas sobre a calçada
E já compus a canção de ninar perfeita para inspirar os teus sonhos de verão

Sim, eu aceito

Aceito, quero, espero e preciso ter-te como filha  
E tal necessidade minha, liga-se a tua necessidade de me ter como pai, como protetor
Existe um mundo que será nossa estrada, nossa trilha
Que nos levará ao ponto mais alto do “podium” da vida, e nossas medalhas serão o amor

domingo, 13 de setembro de 2009

Beatriz descobre o mundo


(minha florzinha, plantada no meu jardim e recém chegada)

Beatriz descobre o mundo porque o manto que cobre todo o mundo é azul e tem estrelas
assim como o seu edredom.
Descobre o pôr-do-sol, o Garantido e as e as rosas vermelhas porque tudo isso foi feito por ela à giz de cera.


Beatriz descobre o mundo porque foi ela quem o fez.
Ela viu o quadro negro e desenhou o sol, daí se fez a luz.
Viu a terra seca e quis brincar com lama, daí se fizeram as águas.
Quis sentir o vento no rosto e os cabelos à voar, daí se fez o ar.
Quis compor uma canção, mas os acordes, ainda inertes, não produziram música.
Beatriz então disse: - Que haja luz, riacho, ventania e som – então tudo foi feito, e Bia viu que tudo aquilo era bom.


Beatriz descobre o mundo porque ele cabe em sua palma,
porque os traços do universo são mistérios com explicações que estão em sua alma,
porque as marés precisam da sua fúria
e a praia da sua calma.


Beatriz descobre o humano, porque o seu olhar deixa o coração à nu,
porque as máscaras caem para apreciar as verdades do seu semblante,
porque seus olhos são futuro, e dentro dele, meu presente espiar é só um instante.


Beatriz desfaz, desmonta, remonta, vira de pernas para o ar, põe de cabeça para baixo e faz da “Mãe Gaia” o que bem quer.
Ela tem posse de tudo que existe, tudo foi feita por ela e para ela, minha deusa-menina-mulher.


Beatriz descobre as palavras, porque essas, são apenas escritos e símbolos fonéticos, que buscam em Beatriz uma tradução.
Bia batiza todos os seres, cria substantivos e predicados. O verbo,que no início era Bia, e que também sinaliza sua ação.


Beatriz descobre o mundo, porque nela se deságuam as chuvas da esperança, as torrentes da bem-aventurança e o rio do amanhã.
Porque ela profetiza e abençoa, porque o mundo está no seu recreio, e o sentido da vida está em sua torta de maçã.


Beatriz descobre a todos, mas ninguém descobre Beatriz.
Ela é perfeita demais, ela é fera, anjo, jóia, trilha, perfeita filha.
Ela é rosa, amarela, lilás e possui o odor mais puro que a deusa das flores,
Ela é o ápice do enredo dos autores, o arranha-céu mais belo do engenheiro,
A cartilha dos professores.


Beatriz encanta o mundo, porque ela é o traço mais retilíneo do Niemyer, é a poesia épica que o Vinícius não fez, o acorde que o Jobim não tocou, é o sonho que a Bethânia não sonhou, é a pedagogia que o Freire não estudou, é a novidade que o Gil não contou.
O Chico passou perto, mas Beatriz é única, e o “que será” da “roda viva” do seu destino, ninguém imaginou.


Beatriz descobre o mundo, porque esse precisa dela para ter sentido, e para existir em cores, se abre em amores à Beatriz, implorando para que ela o experimente.
Afinal, o universo precisa de Bia-Bia para ser gente.


Beatriz rege o mundo, porque as estações do ano baseiam-se no seu humor
As fases da lua são divididas pela suas vontades
As aves não gorjeiam canções se ela não compor
A sensibilidade da pele do poeta, sem Maria Bia, fica torpor


Não gerei Beatriz, ele é que me gerou “Pai”. Sou eu quem pertence à sua casa,
Abrigo-me por debaixo da sua asa.
E se ela se faz frágil em dado momento, é para assim melhor me ninar.
Pois quando nino Bia, o amor descansa em minha alma, meu coração vira correnteza que procura o deságue junto ao mar.


Desaguarei em Mar, Maria Beatriz.


Para ensinar os planetas a terem luz própria, és estrela que forte pulsa,
Tu guias magos e navegantes,
realizas os desejos do órfão, sua lágrima cristalizada é diamante.
Brilhas no peito de “Órion” bem mais que as outras Marias juntas.
Não perdes o brilho, não se apaga em noite sem lua, Você Minha Filha... Nunca cai.
E foste uma grande Mãe para mim, enquanto no ventre filial do seu amor, me gerastes como pequeno pai. Amo-te.

sábado, 1 de agosto de 2009

De boas intenções - Bruno Rodrigo



A menor intenção de mudar
é a maior mudança que podemos nos oferecer
O primeiro passo é o mais importante da caminhada
O “querer torna-se”, por si só, já é ser



O menor raio de sol que perpassa o vidro da janela
Já é amanhecer
O primeiro canto do bem-te-vi já é dia
O singelo acordar, por si só, já é viver



A primeira estrela, o menor raio de luar
Já é anoitecer
Não se constrói um futuro negando os erros passados
Aceitar o que passou, por si só, já é prevalecer



A menor intenção de amar
Já é maior que qualquer outra intenção
Pensar no amor corresponde a ação de amar
que por si só, já é perdão



Não tenho a menor intenção de te impressionar
Nem tão pouco, quebrantar o gelo do teu coração
Porém, afirmar não ser intencionado já é intencionar
E se o gelo do teu peito for quebrantado, meu poema não terá sido em vão.